segunda-feira, 28 de junho de 2010

Inviolável


Onde escondemos os novos demônios de nossa sociedade?. Que estão proibidos de enunciar as verdades incomodas desse covil, entre os dentes serrados de todos os falantes surgem fetos de pequenos demônios que habitam sombras e consomem desejos, embalados, acomodados e esterilizados. Nada acontece, apenas embalagens muito bem fechadas caminham de um lado para o outro buscando um pouco mais de vácuo, por mais delirante que pareça assim será, as partículas sólidas serão retidas e comprimidas permitindo que apenas o ar saia pelo pórtico de exaustão, assim muito bem fechados viveremos e quando por algum motivo no mínimo por uma anomalia psíquica uma embalagem é violada ela é retirada de circulação até o vácuo ser restituído e os pensamentos fechados em sacos zip lock. Tudo que esta a vácuo reduz em 80% de seu volumne e assim hermeticamente selados buscamos algum movimento mesmo que seja um espasmo involuntario dentro de nossa queridas monstruosidades cotidianas. De todas essas monstruosidades humanas de significado universal as que nos causam mais terror são aquelas reprimidas nos corpos castrados suavemente com angustias rotineiras, chegam ao ponto de sufocar, e nesse ponto que surgem corpos transtornados que brincam com as deformidades da sociedade que em sua dança de quase-monstros buscam uma não identidade. Dentro de toda nossa desonestidade e hipocrisia velada existe algo inviolável que jamais pode ser rompido apenas resvalado e revelado em palavras, gemidos, ruídos e grunhidos, reaproveitando todo lixo escondido nos cantos de toda embalagem reinventando o desprezo por qualquer tipo de linguagem.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Momento imóvel


É interessante como cada vez mais me apego a coisas pequenas ou que parecem insignificantes. Hoje me despeço de St. Louis, na verdade terminei de escrever, já sinto falta daquele mundo que a tempo estava familiarizado, enquanto escrevia observava meus dedos, o que há neles além da carne?. o que a neles além de uma vontade esquecida?. Durante os últimos dias andei reparando nessas pequenisses, gosto muito da unha do meu dedo mindinho direito, não sei pq mas gosto, e acho que essas praias tem azul demais, reparei como a areia tende a entrar em meu pé esquerdo incomodando meus dedos. Agora durante esse meu recesso o tempo parece passar em um ritmo arrastado, talvez seja por isso que posso reparar em pequenos momentos, e quando acontece fico imóvel como se embebido pela vontade de dilatar o tempo ainda mais para não perder cada detalhe, vago por ai em busca de um momento imóvel, até quando terei capacidade de dilatar o tempo? Hoje, não sinto conforto em escutar nenhuma voz, prefiro tentar escutar esse vácuo do tempo dilatado que é imune a cicatrizes do passado e esse som inaudível embala meus pensamentos na balada do silencio que freqüentemente me conforta, até quando? Só posso a pedir a todos deuses desse silencio que me protejam de tanta mágoa " Toda raiva é muda e o silêncio incita a cólera" ( palavras de Nestor Castro Sotters)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Um dia de Gato.


Quase cinco minutos que dormi, agora já deve ser hora de acordar, pronto estou acordado, isso agora é hora de dormir novamente, creio que na próxima vez que acordar eles ja estarão acordados, quando fecho os olhos só me vejo correndo atrás de todo tipo pequenos animais, ratos, baratas, aquele em formato de linha e aquele em formato de bolinha de papel que odeio tanto. Será que hoje um deles me serve um pouco de leite?. Acho que no fundo gosto deles e eles de mim, aquela de pelos pretos um pouco menor não gosta de ser acordada com minhas especiais mordidas, o outro já não liga, Ah eles estão se movendo está chegando a hora, como gosto dessa hora, fico muito empolgado quando chega esse momento, a menor sempre me alimenta primeiro e solta alguns sons, as vezes parece de carinho, mas quando meu banheiro está cheio parece esbravejar, mas depois se arrepende e coça minha cabeça, ficarei a posto ao lado da mesa esperando algo que caia, também tenho uma cadeira como eles, mas as vezes eles esquecem de puxa-la para que eu posso subir e ficar tão grande quanto eles, acho que de todas os gatos que conheci na minha enorme vida eu sou o mais feliz, sempre me queixo da solidão mas eles não me escutam, em alguns dias as janelas ficam abertas e posso explorar a parte externa de meu reino, aliás um reino muito bonito, todo cinza bem aberto e com cheiro de passaros, o maior tenta se cominicar comigo durante as mahãs que passamos juntos, gsto muito dessas manhãs, ganho vários alimentos diferentes e deitamos juntos olhando para aquele ponto que brilha, não sei oque vejo mas se ele olha então deve algo que se deve fazer. Em um certo momento ele começa a se movimentar, cortando, picando e me alimentando de pequenos pedaços, derrepente a menor chega, dentro daquela maquina estranha, ela entra, eles tocam as faces, as vezes ela pronuncia animal imundo olhando para mim, deve ser uma coia boa sei lá, acho muito estranho quando e la entra em uma caminhda estranha chaqualhando as mãos e dizendo " xixi","xixi", vai direto para o cômodo refrescante e fica lá dizendo, " não vem aqui" deve ser algum tipo d e ritual para a caixa deles que não é de areia é d e aguá lá. quando escrece é amesm coisa, em dias uantes sentamos os três na parte externa do reino e ficamos lá, acho que somos os lideres d toda essa região, eu protejo eles daquele louco que fica no telhado, tenho certeza que logo vou ser o lider, já estou grande e corro muito rápido até caçei um rato.Mas hj as coisas são diferentes, passo muito tempo sozinho, o maior deve ter morrido ele sumiu, sou o lider eu acho mas não tenho mais grupo pra liderar, ela as vezes aparece por a qui, vou proteje-la de qualquer coisa principalmente daquelas bolinhas de papel que nunca mais se atreveram a aparecere por aqui, ela orme muito, eu gosto, porque também gosto de dormir bastante, hj eu fecho os olhos e me vejo sentado na frente do reino os três juntos como lideres da rua

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Diamantes de pedaços de vidro


Há uma espécie de pandemônio abafado no ar, como se estivesse reprimindo algum tipo de violência que espera um advento insignificante, um detalhe escondido, algo microscópio mas inteiramente impremeditado. Hoje passei o dia sem escutar a minha voz, não disse uma palavra se quer e realmente é muito estranho, por alguns breves segundos você esquece o timbre de sua voz e parece que nunca mais vai conseguir balbuciar uma palavra, as palavras me parecem estranhas, pensamentos me parecem estranhos, quando terei a dádiva dada apenas aos epilépticos de perder a noção de tempo e espaço? Nesse momento sinto meu núcleo tornando-se cada vez mais sólido e a realidade próxima cada vez mais entorpecida, quanto mais metálico mais frio. Todo estado de tensão deve ser finamente traçado driblando toda essência que ainda resta em meio as ruinas, só assim poderei encarar o absoluto, só assim poderei encontrar qualquer vestígio de absoluto. amanhã pode haver uma guerra mas hoje estou intacto, terremotos acontecem, desgraças de todos os calibres, mas eu continuo intacto, parece-me que tudo já aconteceu e nada foi suficiente para me destruir, de ilusões na da resta mas eu continuo intacto, se sou um esqueleto recoberto por alguma quantia de carne a qual tento proteger a qualquer custo, serei este esqueleto até o fim, mas sempre intacto. As vezes acho que busco o limite da resistência e estou com as costas na parede e que todos os deuses me protegem de tanta mágoa. Agora penso muito em meu irmão, lembro de uma vez que brincávamos de buscar pedaços de vidro pela rua eram nossos diamantes pegávamos todos tínhamos a leve sensação de estar enriquecendo e em um ato de ilusão infantil meu irmão apertou o pedaço de vidro e cortou a mão, eu me esqueci da casa em que morava da comida que comia e das palavras que repitia mas jamais me esqueci do corte na mão, nunca esquecerei nossos diamantes de pedaços de vidro.

quinta-feira, 25 de março de 2010

As Baratas suburbanas da rua 43.


Todas as noites Razu uma barata de casca bagunçada saia em busca de migalhas, dos canos escuros de tempos em tempos aparecia um pequeno banquete, de caroços mal comidos, nacos de carne mastigada e guloseimas regurgitadas por crianças e bêbados, Razu era um entre milhões de iguais que corriam um por cima um do outro e que devoravam verosmente tudo comestível. Ele observava como seus companheiros eram parecidos com ele, alguns eram esmagados impiedosamente por calçados sem alma outras perdiam a cabeça e vagavam consumidas pela inanição, ele sabia que nada que ele fizesse seria tão importante que perduraria algum tempo depois de sua morte, quanto tempo ele conseguiria ficar nessa devoração insana cruel e bem sucedida? Ao cair da noite a corrida começava e todos saiam de suas tocas, a tempo ele conhecia um cano que de vez enquando cuspia coisas interessantes umas comestíveis e outras não, nesta noite ao chegar avistou um pequeno pedaço de um material brilhantes, algumas baratas já tinham vasculhado por lá e não havia nada a ser devorado era apenas aquele pequeno material brilhante quadrado e áspero, por um instante Razu ficou paralisado observando aquele pedaço brilhante banhado por excrementos naquela noite ele não se alimentou e ficou como pajem cuidando do tesouro ignorado por seus companheiros, não tocou nenhuma pata no cinevazi que era o nome que Razu batizara seu quadrado brilhante, seria esse seu momento mais significante de sua vida? Que palavras dizer para um cinevazi? Por onde andaria lami a francesinha que conhecerá em um banquete de esgoto hospitalar? De onde vinham suas asas tortas e bagunçadas? Quanto dia ainda sentiria o cheiro de sabão de sua infância? Oque as baratas faziam de importante eram milhões esperando o dia do fim.............. continua ...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Morrer de samba de cachaçá e de folia..


No carnaval agora eu não vou mais me fantasiar, de todas as festas sobreviventes da época colonial o carnaval é a mais popular e maior festa de rua do pais, de uma guerra de água fezes e urina a magia das cabrochas. E ainda no longo capitulo de 2010 houve um carnaval acabado como máscaras arrancadas a força inescrupulosa da lei. Assim será nossa vida de uma tarde simples a uma noite com piratas, mascarados, pessoas pequeninas, jovens medíocres em suas roupas mais bonitas e todos embriagados pela melancolia sorrateira do carnaval fugindo de uma viatura que mais parecia um carro alegórico com policiais que em muito sonharam em ser oficias do topo da hierarquia. De todos os foliões em fuga e dos filhos sofridos da ditadura que tentaram bajular os miseráveis representantes da republica federativa do Brasil, apenas três permaneceram na mesma posição se embriagando de cachaça e lamuriando antigos sambas de machucar os corações, eles observavam os outros em fuga, essas três figuras seguem: um estrangeiro filho de uma ditadura cruel que carrega em s eu sorriso a alma de todos seus entes queridos mortos pela ignorância humana, que mesmo com todas essas cicatrizes consegue achar a cachaça mais amarga que a vida e fazer careta quando ela desce por sua garganta, um surfista que parece ter plasmado diretamente daqueles filmes de grandes ondas embebedado em sua fala fácil e olhar brilhante, que carrega com ele a sombra de uma idéia de malandro e se coloca como bicho feroz caçando a fêmea não importa qual e não importa quem até um dia que irá irromper em sangue como na opera do malandro e a terceira figura sentada na sarjeta máscarada com uma garrafa em um copo em sua frente, era ele pequeno poeta sem pose e de coração vazio, que de noite ama tudo aquilo que perturba seu sono e de dia dança entre sonhos e desespero, ele observava pelos orifícios correspondentes aos olhos aquela viatura que lentamente ia embora com seus medíocres condutores repetindo a palavra " circulando, circulando e circulando". Mas como poderia esses circularem se mal sabiam o que circular, o estrangeiro que circularia a sombra de seu passado, o surfista que em passos lentos circularia rodelas saborosas de maça pois jamais poderia ser de lingüiça e o poeta que circularia? Uma capacidade de ternura e o antigo respeito pela noite
E no fundo a grande promessa de não mais colorir a dor.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Aos de corpo hermético e coração patético.



E no longo capitulo de 2010, meu único desejo é não me tornar um intestino.

Observo esses espectros velhos e devassos caminhando pela areia, carregando seus largos sorrisos aflitos e empunhados em suas mãos todas essas crianças velhas,pequenos humilhados, enquanto meu pensamento vadio vaga por todo esse mundo de anêmonas humanas, mil palavras corrompidas se precipitam de meus pensamentos e param no lábio fechado de espanto sorridente e de espera constante. Há um grande aumento de abismos em meus pensamentos, onde apenas minha sombra alheia a toda covardia observa da beirada do infinito. Uma manhã uma carcaça de peixe arrastada por uma onda fraca encalhou na areia, de olhos esbugalhados e boca apodrecida, o cheiro que se apoderou tomava as narinas de todos aqueles de corpo hermético que caminham na praia e que se esquecem que para isso fomos feitos do pequeno berço a estreita urna ou até mesmo em uma caixa de madeira fraca mal feita. De todas as tardes não esquecidas qual terá cheiro de peixe em putrefação, qual terá o gosto de um coração patético em desilusão e qual será costurada com ausência de saudade?
Entre todas as lembranças as melhores são aquelas acompanhadas do perfume da decomposição e realmente para isso fomos feitos, verdadeiros escaspistas da morte em busca da vida que de defesa apenas tem a degeneração lenta e cruel.
Mas logo vem o carnaval, três dias pra sorrir não é?