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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Aos de corpo hermético e coração patético.



E no longo capitulo de 2010, meu único desejo é não me tornar um intestino.

Observo esses espectros velhos e devassos caminhando pela areia, carregando seus largos sorrisos aflitos e empunhados em suas mãos todas essas crianças velhas,pequenos humilhados, enquanto meu pensamento vadio vaga por todo esse mundo de anêmonas humanas, mil palavras corrompidas se precipitam de meus pensamentos e param no lábio fechado de espanto sorridente e de espera constante. Há um grande aumento de abismos em meus pensamentos, onde apenas minha sombra alheia a toda covardia observa da beirada do infinito. Uma manhã uma carcaça de peixe arrastada por uma onda fraca encalhou na areia, de olhos esbugalhados e boca apodrecida, o cheiro que se apoderou tomava as narinas de todos aqueles de corpo hermético que caminham na praia e que se esquecem que para isso fomos feitos do pequeno berço a estreita urna ou até mesmo em uma caixa de madeira fraca mal feita. De todas as tardes não esquecidas qual terá cheiro de peixe em putrefação, qual terá o gosto de um coração patético em desilusão e qual será costurada com ausência de saudade?
Entre todas as lembranças as melhores são aquelas acompanhadas do perfume da decomposição e realmente para isso fomos feitos, verdadeiros escaspistas da morte em busca da vida que de defesa apenas tem a degeneração lenta e cruel.
Mas logo vem o carnaval, três dias pra sorrir não é?