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domingo, 18 de julho de 2010

A morte prematura de Anabela


Não havia dúvida, ela estava a poucos mais de um metro de distância e ele de súbito se pós a falar, palavras desencontradas que mais pareciam fragmentos de pensamentos sem uma organização lógica, que não tinham força para atravessar este espaço já preenchido por outras inquietações, outros desejos e outras lembranças.E neste esforço sobre-humano ele encontrou uma indiferença que trucidou qualquer resquício de esperança que supria a vontade de fugir desta ausência. Agora sim ele estava certo em suas observações. Anabela havia morrido já a algum tempo, seu pequeno corpo escorria de seus pensamentos e lhe escapava pelos dedos, apavorado agora ele tinha medo deste espectro envolto por todas as lembranças. Anabela vitima de uma corrosiva incompreensão, vitimada pelo acaso, por erros e pela perversidade da juventude; onde estará seu pequeno e imaginário corpo?
Dentro do mais completo recesso a observa, sabe que longe dela ele é um ambulante que vaga pelos máximos perigos de seus pensamentos, de longos momentos de pequenas preces, sabe também que suas lembranças estão encarceradas em sua cabeça e que sempre voltam.

Carta restante de Osvaldo filho do sapateiro

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Carta a Tejo


Quando olho para minhas mãos, tenho a leve impressão que subitamente elas irão acabar comigo, cegamente e sem perdão. Mesmo herdando um certo lirismo lusitano, ainda carrego comigo toda a densidade e a insanidade da frieza do sol dessas Erínias tropicais. Além dessa fúria existe um leve sopro de serenidade e dentro dessa serenidade existe um vazio, cheio de palavras não escritas e ações não executadas, ainda que não percebesse esse desalento, estaria cercado por essa agonia, dessas construções paradas e desses homens mortos de corpos insignificantes e desejos incompreensíveis.Á que tempo pertencem meus pensamentos?. Meus sonhos ainda estão embarcados em caravelas avistando não mais densas matas e sim um cinturão de concreto? As vezes caminhando pela rua,paro, como se quisesse rever uma imagem ainda não conhecida, depois volto a andar e peço perdão para mim mesmo, por essa vontade invisível do desconhecido, mesmo em meio a toda essa fatalidade que paira nos rostos cansados desses trabalhadores que são humildes em seus olhares, ainda encontro momentos de neutralidade, curtos espaços de tempo onde tudo parece ficar suspenso, em silêncio e embalado em uma certa melodia, composta por coisas impossíveis que cintilam em meus pensamentos, vagueio por todo vórtice do delírio . No intervalo entre esses momentos suspensos volta o cheiro de necrose e a náusea que pulveriza toda rua das noites dessas cidades. E com essa pequena dose de lirismo lusitano embarco nessa viagem poética do amazonas ao Tejo, sonhando com todas recordações verdadeiras ou inventadas, de navegações que nunca fiz e de histórias que nunca escutei.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Pequeno perfil de cidadão comum


A vida nos presenteia sempre com mais um cidadão comum que bebe sua cerveja, gosta de futebol, escuta um "Rock" e fala de coisas sem sentido, frases perdidas de filmes ou trechos de livros, acredita de certa forma em Deus e em todas aquelas criações invisíveis do homem,que para se sentir menos solitário no final escreve livros e conta histórias, acredita que nasceu um critico musical, pronto para exaltar os Deuses da musica, intocáveis, irreproduzíveis e imperdoáveis. Esse Cidadão comum que a muito sonha que atingiu o píncaro da vida virtual construiu seu império a partir dessa ironia pré-moldada e simplória, que borbulha em muitos textos do grande sacolão virtual(Twitter, Blog dentre outras maravilhas). Enquanto essa incapacidade é preenchida por todos os caracteres que lhe faz jus,ele se esbalda em sua poltrona banhada por um orgulho de rei de um império vazio, jamais ira se dar a vida e sempre se recusara a participar do espetáculo fascinante que é cheio de musgo, esgoto, poesia e elefantes; aqui ele vai permanecer.A uma certa tendência em meus textos que posso intitular de filosofante, seria eu anarquista de alma serena ou um espectro de cidadão comum que acordou com um espírito inquieto e fervilhante?. Se a verdade é incomoda e o tempo é quando, prefiro continuar com alma anarquista, corpo franzino e com pensamentos que caçam pessoas, do que me chafurdar em entorpecidos sentidos que modulados pervertem nossos desejos, atolar-se em vícios já não é mais uma fuga pertinente, é sempre preciso manter o controle para não sair correndo para qualquer lugar, fugindo de qualquer coisa. Enquanto isso nosso pequeno cidadão de perfil comum, prepara sua mais nova artilharia, regada a muito humor e comentários fofos tão macios que cedem facilmente a pressão, não há verdade e nem vontade em sua palavras, há apenas resquícios de maculadas inclinações, uma busca incessante por afeição e um sonho delirante de atenção. Será que é isso que nós precisamos?.Será que é isso que eles precisam?. Eu vou escolher todos os olhos que irei olhar, ainda acredito que tenho esse poder de escolha, irei escutar sons que agradam ou não meus ouvidos, um infeliz que vai de tonto, buscar todas comemorações fantasnticas dançar no meio desse vertice supremo do descaso. O homem não era necessário, mas ao revez ele existe, transforma , brinca com a lógica, é social, luta por uma colocação moral, balbuceia sobre estética, pisa leve e caminha entre seus tumulos ou berços, e deixa seus corações simples esperançosos de jamais encontrar a face da morte.Você ainda pode desejar que tudo fique errado, e tudo fique sem resgate, eu ainda estou fora, vou ficar fora, acordado e sempre esperando