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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Remédio com gosto de veneno.





Alguma vez você caminhou tão tranqüilo por uma rua que parecia que caminharia para sempre, no mesmo ritmo, com os mesmos pensamentos e como se tivesse o controle do tempo?.
É não somos e nunca seremos donos do tempo, temos a honra de possuir a capacidade de percebê-lo passando inexorável e cruel, se alguma vez acontecer de você se deparar com um momento como esse, corra rápido e não pense em nada, transforme a serenidade e a sensação de infinito em caos e encurte o caminho. Conforme o tempo e contado, pergunto se não estou me tornando uma pessoa má, confusa e sem graça, quem sabe apenas um velho senhor, que levanta no meio da noite com um canivete na mão pensando ter escutado um barulho, ou ainda o mesmo velho senhor que se preocupa com os remédios que mais tem gosto de veneno, mas lhe mantém vivo para observar cada segundo de cada acontecimento . Um dia pudera com um grande esforço conseguir a digníssima honra de possuir uma rua ou uma vielinha que seja com meu nome, " Rua Fábio Valério,venha conhecer ,um lugar tranqüilo cheio de quarteirões incompletos e casas abandonadas", até é possível que alguém caminhe por essa rua e se sinta tranqüilo e com a velha sensação de infinito.
Mas se eu pudesse deixar algumas leis que só valeriam nesta assolada rua, a Primeira delas seria: jamais caminhar tranquilamente com essa maldita sensação.
Segunda: tocar apenas os portões das casas abandonadas
Terceira: corra rápido sempre
Quarta: não possua um canivete
Quinta: sem velhos medos de barulhos estranhos
Sexta: Observe sempre
Sétima:cuidado, rua sem saída
Oitava: os remédios em dia, para os asmáticos ou recém curados de pneumonias um dosador de aérosol.